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7 Lições de Vida que Aprendi com a Amamentação [Experiência pessoal]

Na sequência da semana mundial da amamentação, decidi partilhar contigo a minha história, a minha experiência pessoal com a amamentação. E as 7 lições que aprendi pelo caminho. Espero que possa inspirar alguém na mesma situação!

 

Apesar de ter frequentado o curso de preparação para o parto, nada me preparou para as dificuldades que iria sentir. E jamais me passaria pela mente naqueles primeiros dois meses que o gesto Baby Signs ® favorito do meu filho viria a ser leite (leia-se “mama”)! E muito menos que mamaria até aos 22 meses.

A minha primeira sensação/reacção quando o meu filho mamou pela primeira vez, foi de estranheza, de invasão ao meu corpo, que de repente deixou de ser só meu. Eu não estava preparada. E não esperava isso de mim. Sempre quis ser mãe e passar por toda a experiência da maternidade, e a minha reação não foi romântica, nem perto do que eu imaginei.

Lição 1 aprendida: não tenhas expectativas!

De tudo, para mim foi o mais difícil, onde me senti mais perdida, e durou longos dois meses, e de repente, foi como se nada tivesse acontecido. Fez-se o clique, aprendemos um com o outro.

Passei por uma gravidez tranquila de 40 semanas, apesar de não ter a certeza se o meu bebé seria prematuro, devido à minha formação uterina. Passei por uma cirurgia, por uma analgesia feita como a epidural, tive sensação de náuseas e desmaio, e todos os riscos associados a uma cesariana, passei pela cicatrização da mesma com dores suportáveis (excepto quando espirrei em menos de 24h após a cirurgia – pensei que tinha rebentado tudo), e ainda assim a amamentação foi 10 vezes mais difícil de gerir.

Lição 2 aprendida: És mais forte do que pensas ser!

Passo a explicar.

O facto de ter mamilos invertidos, e saber que não seria impeditivo de amamentar, sabia também que podia dificultar (e não me esclareci o suficiente sobre este aspeto). Na primeira vez que o meu filho mamou, na presença da enfermeira, ele não conseguia segurar o mamilo. E a enfermeira coloca de imediato um mamilo de silicone.

Lição 3 aprendida: aproxima-te de quem sabe mais sobre a amamentação natural (sem adereços)

Dores. Dores. E mais dores, todas as vezes que amamentava. TODAS, sem excepção. E refiro-me a intervalos de 3 horas no máximo e 10 minutos no mínimo. Durante 2 largos meses!

O meu filho chorava de fome, e caíam-me lágrimas de dores. Fiz feridas que não tinham tempo de sarar. Usava uns discos de gel que eram colocados no frio para que aliviasse e sarasse o mais rapidamente possível nos intervalos.

Lição 4 aprendida: amamentar não é intuitivo (hoje em dia), procura ajuda!

Se antigamente todas as meninas viam as suas mães, tias, vizinhas a amamentar, e aprendiam desde cedo todos os truques e tornava-se assim “intuitivo”, hoje e na minha geração não foi bem assim. Portanto, foi quando conheci a enfermeira, cuja experiência era rica em ajudar mães a ultrapassarem estes percalços com a amamentação, que percebi o que tinha de fazer. Mas não só, fez-me acreditar que um dia deixaria de sentir as dores e que seria prazeroso.

E apesar das dores diárias, aquela crença fez-me persistir, à medida que ia corrigindo, aprendendo com o meu filho e o meu filho comigo.

Ele adormecia a mamar, não ganhava peso, ficava imenso tempo na mama a chuchar, quando eu pensava que estava a alimentar-se. Tanta nabice junta, que podia ter sido evitada, se tivesse tido o conhecimento da existência de CAMs (Conselheiras em Aleitamento Materno).

Lição 5 aprendida: Procura uma CAM e nunca desistas (se for essa a tua vontade)

E na consulta do primeiro mês, a médica, perante o baixo peso e a descrição que lhe passei, sai-se com o infeliz “parece-me que o seu leite é fraquinho, vamos adicionar leite artificial”.
No dia seguinte, felizmente voltei a encontrar-me com a enfermeira, que desmistificou logo a questão “LEITE FRACO NÃO EXISTE” e ainda acrescenta “e não permitas que ninguém te diga isso”! E a lata ficou no armário até passar de prazo!

Lição 6 aprendida: Nem todos os médicos estão bem informados.

Passados os dois meses, um belo dia, o meu filho acorda esfomeado, e mama tão bem, as dores estavam a ir embora e o meu bebé começa a ganhar peso e a crescer. Passou! Passou tudo, eu aprendi e ele também. Fui capaz de ultrapassar tudo e percebi, percebi porque tantas mães ficam pelo caminho.

São demasiadas vozes e são demasiado contraditórias entre médicos, enfermeiros, familiares e amigos. São tantas as vozes, que deixamos de nos ouvir e perdemos a oportunidade de nos aconselhar com quem realmente nos pode ajudar, na missão que escolhemos cumprir, e acabamos por desistir antes de conseguir.

Deixei de julgar, porque eu também teria desistido, se não houvesse alguém que acreditasse e me dissesse que era possível e que eu seria capaz.

Lição 7 aprendida: tem paciência, persistência e não desistas até conseguires aquilo que realmente queres!

E foram assim, 6/7 meses em leite materno exclusivo e amamentei até aos seus 22 meses.

 

Diz-me, através de um comentário em baixo, se este artigo te foi útil! e coloca qualquer questão que tenhas.

Um dia feliz

Sabla D’Oliveira

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Como Funcionam os Gestos em Grupos de Creche?

Numa das minhas visitas a uma Creche Certificada pelo Programa Baby Signs®, assisto acidentalmente a um momento “Baby Signs”:

 .

Estava uma educadora à porta da sua sala a falar com um pai, quando um dos seus pequenotes de 1 ano aproxima-se, puxa-lhe pela bata, e quando a educadora olha para baixo, o menino faz o gestos de “MAIS”, em resposta a educadora diz-lhe:

 .

“- queres mais bolacha? Espera só um bocadinho que estou a falar com este papá, e já te dou a bolacha!”

O menino ficou pacientemente à espera, sem insistir e sem chorar, pois a mensagem tinha sido passada de forma eficaz.

 

As equipas que estão a aplicar os gestos no seu dia a dia, estão encantadas com os momentos de comunicação que o Programa Baby Signs® lhes proporciona. Menos birras, menos frustrações e grupos mais calmos.

 

Artigo relacionado: Nunca Subestime o Poder de um Gesto

 

Os gestos Baby Signs® estão a revolucionar a vida dos bebés portugueses e cada vez mais Instituições estão a perceber que não podem perder mais tempo e começar já a utilizar este Programa. Aqui vais encontrar a lista dos Centros Infantis que estão certificados em Portugal.

 

E quais as principais vantagem das Creches fazerem a certificação no Programa Baby Signs®?

  • Toda a equipa fica apta a usar os gestos e compreenderão todas as crianças que usem os gestos, mesmo que estes não pertençam à sua sala.

  • Os bebés que usam gestos serão melhor compreendidos pelos adultos e pelos outros bebés e crianças.

  • Toda a equipa poderá criar maiores vínculos e ajudar na adaptação inicial dos mais novos.

  • Grupos de bebés mais tranquilos e comunicativos.

  • Menos dentadas ou outros comportamentos agressivos derivados à falta da capacidade de comunicação.

  • Maior desenvolvimento da Inteligência Emocional dos mais novos (expressam o que sentem, como por exemplo a zanga e a tristeza).

  • Maior desenvolvimento social, cognitivo e emocional dos grupos de crianças.

  • Maior desenvolvimento da linguagem!

Apenas para mencionar algumas!

 

Artigo relacionado: 11 Benefícios que pais e profissionais adoram no Programa Baby Signs®

 

Caso queiras receber mais informações sobre a Certificação e formação de toda a equipa, envia um email para sablaoliveira@babysigns.pt, terei todo o gosto em ajudar.

 

Um dia feliz,
Sabla D’Oliveira

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O Espanto de uma Médica e uma Enfermeira numa Consulta de Desenvolvimento dos 15 Meses!

Recentemente a mamã e Instrutora Ana Rodrigues, partilhou a sua experiência, com os gestos, a aquisição da fala e conta-nos um episódio muito curioso passado  no Centro de Saúde, na consulta de desenvolvimento:

 

“O meu bebé, depois de 3 meses a usar corretamente o gesto de “leite” adquiriu a palavra “téte”, não muito longe mas o necessário para conseguimos compreender, já deixou o gesto e só usa a ‘palavra’.
Mas acrescento que hoje na consulta dos 15 meses a médica perguntou o que ele come e eu, mencionando a lista, lá me saiu “ele gosta muito de tostas” logo de imediato o meu bebé faz o gesto (que inventamos cá em casa). Não liguei, distraída a falar com a médica, ele insistiu dizendo “tá” cada vez mais alto, tal como em casa… lol. Lá o ouvi e perguntei “queres tosta bebé?”, deu um sorriso que ficaram logo espantadas (médica e enfermeira) como eu tinha percebido o que queria, lá expliquei eu toda orgulhosa o programa Baby Signs… “

Muitas vezes, depois de estarmos habituados aos gestos e palavras dos nossos pequenotes, por vezes são os outros que nos lembram o quanto é fascinante a capacidade que o nosso bebé tem de se fazer entender!

 

Artigo relacionado: Nunca subestime o poder de um gesto!

 

E foi o caso desta médica e da enfermeira que assistiram a um momento “Wow” do Programa Baby Signs® em ação!

 

Artigo relacionado: Programa Baby Signs® – uma janela para a mente dos bebés.

 

Esta “magia” contagia-se … e nesta situação em particular, o caso já anda a ser contado por todo o Centro de Saúde!!

 

Conhece aqui todos os próximos eventos!

 

Um dia Feliz,

Sabla D’Oliveira

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Programa Baby Signs®: uma janela para a mente dos bebés

Quantas pessoas já se questionaram sobre o que se passa na mente de um bebé, que vive num mundo com tantas coisas a acontecerem à sua volta? Vou partilhar contigo, neste artigo, alguns momentos reais em que bebés puderam abrir a janela das suas mentes e partilhar exatamente o que lá se passava…muito antes de conseguirem falar!

Apesar de sabermos que eles são umas “esponjinhas” do que os rodeia, não sabemos exatamente o que os bebés estão a captar e interpretar…até que falem ou usem esta ferramenta dos gestos.

Esta é a primeira história:

Uma das nossas Instrutoras, Fátima Mendes, contou-me uma das suas histórias pessoais com o seu bebé talentoso nisto dos gestos! Estava o pai a limpar o forno na cozinha, quando o seu pequenino (de cerca de 15 meses na altura), aponta para o forno (como faz quando quer saber o que são as coisas). Perante isto o pai diz “isto é o forno e está porco!”. Imediatamente o pequenote faz o gesto do animal porco! O que deu a oportunidade ao pai de explicar que não é o mesmo que o animal porco, e que o que ele queria dizer é que o forno estava sujo!

Conseguem imaginar-se a ter esta conversa com um bebé de 1 ano?

A segunda história que quero partilhar convosco passa-se com um bebé de 11 meses:

O filho de outra das nossas Instrutoras, Eliane Félix, assistia à brincadeira do mano mais velho com a mãe que atiravam aviões de papel. Cada vez que arfavam para a ponta do avião para fazê-lo voar, o mais novo ria-se perdido! Quando de repente revela onde estava a piada. Ele começa a fazer o gesto de “cão” que tem exatamente o mesmo arfar que a mãe e irmão estavam a fazer no avião.

A cumplicidade da relação de manos é maravilhosa.

Artigo relacionado: 11 Beneficios que pais e profissionais adoram no Programa Baby Signs

A terceira história passa-se numa creche em Portugal:

Uma educadora que participou no workshop para profissionais de 1ª Infância, implementou os gestos na sua sala. E há um dia que uma menina de 1 ano vem ter com ela a “bater” na cabeça, gesto semelhante ao chapéu. Perante o gesto a educadora pegunta se ela quer o seu chapéu. E a resposta foi outro gesto: “dói-dói”. Ah, fizeste um dói-dói na cabeça? A menina abana a cabeça a indicar que sim e foi apontar onde se tinha magoado.

São maravilhosos os benefícios que os educadores de infância têm com grupos inteiros de bebés a comunicarem de forma eficaz.

Artigo relacionado: Nunca subestime o Poder de um Gesto

E a última história passou-se com o meu filho aos 11 meses:

Estava ele no seu quarto, quando olha para dentro da caixa de livros e começa a fazer o gesto de “Gato”. E eu perguntei-lhe se ele via um gato na caixa, ao que ele sorriu e repetiu o gesto. Eu disse-lhe que não havia nenhum gato naquela caixa, ao que ele insistia em mostrar-me o gesto de “Gato”. E fui verificar e estava lá, na capa de um livro o Gato que ele estava a ver.

Momentos de partilha que estreitam laços entre pais e bebés.

Artigo relacionado: O Primeiro Gesto é tão especial quanto a primeira palavra

 

E como estas há milhares de outras histórias por todo o mundo contadas por centenas de famílias e profissionais que vivem diariamente com bebés e usam o Programa Baby Signs®.

É de facto mágico poder ter acesso à mente dos mais novos e ajudá-los a interpretar o mundo que os rodeia. Eles mostram-se orgulhosos por nos conseguirem comunicar aquilo que eles querem e precisam e recebem muito mais conversas e atenção de volta.

Logo que tenhas oportunidade frequenta um workshop para pais ou profissionais, porque eles não são pequeninos para sempre, e os benefícios são para a vida toda!

 

Um dia feliz

Sabla D’Oliveira

 

 

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Como os Gestos Ajudam os Bebés Bilingues

Um bebé que ouve duas ou três línguas diferentes, tem mais coisas para processar no seu rico cérebro! No entanto não é motivo de preocupação, uma vez começando a falar conseguirá falar todas as línguas corretamente (mesmo que as baralhe inicialmente).

Uma ajuda preciosa é o uso dos gestos da metodologia do Programa Baby Signs® por toda a família.

Um exemplo simples: um bebé cujos pais falem línguas diferentes, está a tentar perceber que “leite” e “milk” são a mesma coisa (ora ouve um, ora ouve outro, dirigido ao mesmo objeto).  Quando existe um gesto associado ao “leite” e exatamente o mesmo gesto associado ao “milk”, o bebé compreende mais rapidamente e faz a ligação que faltava.

O cérebro de um bebé bilingue está a processar o dobro (ou triplo) da informação e o seu corpo prepara-se para expressar todas as línguas. No entanto as boas notícias é que o uso do Programa Baby Signs® com bebés bi ou trilingues, vai também ajudar no desenvolvimento da linguagem, diminuindo assim a diferença em relação a bebés que aprendem apenas uma língua.

Os gestos por não serem tão abstrato em relação às palavras, vai ajudar o bebé a navegar suavemente pelas duas ou mais línguas faladas.

Artigo relacionado: 11 Benefícios que pais e profissionais adoram no Programa Baby Signs.

E para o caso da família falar uma língua diferente em relação à creche, o Programa Baby Signs® facilitará a transição entre o contexto familiar e o contexto de creche, uma vez que haverá maior compreensão tanto do bebé quanto dos profissionais.

Mais informações sobre certificação de creches aqui.
Próximos workshops aqui.

Um dia feliz

Sabla D’Oliveira

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Qual a única desvantagem do Babywearing?

No meio de tantos benefícios tinha de haver pelo menos uma desvantagem! E encontrei a única desvantagem em se fazer babywearing, e digo-o neste artigo!

Vamos imaginar…temos um bebé e usamos um artigo de babywearing, um pano, sling, mochila ou outro e passeamos sempre de mãos livres pelo parque, subimos e descemos escadas sem pedir ajuda a alguém para segurar no carrinho…brincamos com o mais velho enquanto o bebé está bem juntinho, estendemos a roupa, aspiramos a casa…enfim, sempre com as mãos livres e o bebé perto!!

E cá está o “problema”! De tão pouco carregarmos o piolho diretamente nos nossos braços, a massa muscular que habitualmente adquirimos por levar um bebé ao colo não se desenvolve (lol)! E porquê?

… Porque temos sempre as mãos/braços livres :D!! Se os tivessemos ao colo nos nossos braços, isto não aconteceria… Isto se assumirmos que os bebés precisam muito de colo e que não têm o mito da “manha”. Senão, é carrinho, espreguiçadeira, berço… com ele e lá se vai tudo: o colinho bom e a massa muscular!

 

Imagem da vida com Babywearing…lol

Então a única desvantagem é mesmo esta! Resta-nos fazer umas flexões ou intercalarmos o babywearing com os braços, para continuarmos a usufruir de todos os benefícios do babywearing sem perder a massa muscular de uns potencias lindos bícepes!

Artigo relacionado: Babywearing descomplicado em 5 passos!

Agora cabe-te a ti pôr tudo na balança e decidir o que fazer :D!!

 

Sabla D’Oliveira

Consultora Certificada Babywearing

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Entrevista à Fundadora do Programa Baby Signs®: Dra. Linda Acredolo

Mensagem especial para Portugal da Co-fundadora do Programa Baby Signs®, especialista no desenvolvimento infantil e na psicologia da criança, pela Universidade de Califórnia.

As co-fundadoras Linda Acredolo e Susan Goodwyn, foram as responsáveis pela criação deste maravilhoso programa que está a revolucionar a vida dos bebés em todo o mundo.

Transcrevo neste artigo a entrevista realizada por mim à Dra. Linda Acredolo, que explica na primeira pessoa como tudo começou com a sua filha, há 36 anos atrás, como começaram as investigações científicas sobre o impacto da linguagem gestual no desenvolvimento dos bebés.

 

Sabla – Já estamos a gravar. Aqui com a Dra. Linda Acredolo. Olá!

Linda – Olá. É bom ver-te Sabla.

Sabla – Sim, é óptimo finalmente conhecê-la. E estamos aqui em Portugal, e estamos entusiasmados com o Programa Baby Signs a andar por todo o Portugal. E estamos muito felizes.

Então, tenho algumas questões a colocar-lhe. Eu tenho contado a sua história a todas as pessoas nos meus workshops e agora aos novos instrutores, mesmo assim eu gostaria de ouvir de si como tudo começou, eu sei que, começou com a sua filha, certo?

Linda – Certo. Ela acabou de completar 36 anos. Por isso, há muito tempo atrás. Ela tinha um ano de idade e era muito inteligente, muito esperta e ela ainda não sabia falar. Nós estávamos fora no jardim e ela apontou para uma roseira. Virou-se para mim e cheirou como se estivesse a cheirar uma flor e eu pensei, bem, isso é estranho. Mas percebi que ela queria ver as flores. E eu perguntei “queres ver as flores Kate?” Então levámo-la e fizémos algo, uma sequência, que a maioria dos pais fazem com os seus bebés. Apanhei uma flor coloquei-a no meu nariz e cheirei e coloquei no nariz dela e ela fez o mesmo, era uma rotina que tínhamos com as flores. E ela estava a captar esse pequeno gesto, e estava a usá-lo na esperança de eu perceber que significa flor e ela usou-o o dia todo. Se ela visse flores num jornal ou numa mesa ou no pijama, ela apontava e cheirava.

E eu escrevi no meu diário naquela noite, de que a “Katie fez a coisa mais engraçada hoje” e esse foi o primeiro. E eu comecei a observá-la, porque deduzi que estivesse a fazer algo de interessante. E ela começou a fazer outros, um dos seguintes, pelo que me lembro. Ela fez este tipo de gesto com os dedos e apontou para uma aranha e fez assim. Nós temos uma pequena canção no nosso país em que falamos de uma aranha. Então, ela estava a aprender isso, e há uma parte com as mãos que se faz, então ela estava a usar esse gesto e apontava para a aranha, na esperança de eu saber do que ela estava a falar sobre por isso era claro, de que ela estava a aprontar alguma. E ela começou a inventar outros gestos de rotinas que nós tínhamos.

Artigo relacionado: “Mudar histórias com gestos

E a Susan, era minha aluna na altura, na Universidade. Ela era uma finalista, e ela tinha estudado em Londres, estudou o desenvolvimento da Linguagem em Londres. Eu não sabia tanto sobre o desenvolvimento da linguagem na altura, eu não estava a estudar isso. Então, eu indiquei-lhe que gostaria de ler sobre isto, sabes, ela está a fazer estes gestos…e a Susan disse, “eu não sei nada sobre isso”.  Nunca ouvi falar sobre bebés que faziam gestos antes. Então, foi quando ela e eu decidimos que nós íamos prestar atenção e começar mesmo a fazer pequenos gestos para ela, modelá-los  e ver se ela aprenderia esses e usasse propositadamente para falar connosco e assim fê-lo. E publicamos os seus dados. Seguimo-la muito de perto até ela ter um ano, aliás um pouco mais de um ano e meio e publicámos o primeiro artigo era um estudo de caso, de como ela tinha inventado todos esses sinais como os chamamos e a sua linguagem nessa altura simplesmente explodiu. Ela era tão verbal pela altura dos 2 anos que obviamente já não precisaria mais deles. E isso foi mesmo o começo de muitas coisas pelo mundo fora. E foi como tudo começou.

Sabla – Isso é fantástico. É uma boa história. Obrigada por partilhá-la. Então, em todos estes estudos descobriu que, isto é uma capacidade natural que os humanos têm, correto? de fazerem os gestos. Ainda oiço muitos “isto não atrasa a fala”? E eu continuo a contar sobre as pesquisas e também sobre a minha experiência pessoal.

Artigo relacionado: “Nunca subestime o poder de um gesto

Linda – Isso é triste, continua ser um mito com que lidamos e nós pensamos sobre isso, e gostamos de falar sobre isso semelhante ao gatinhar antes de andar, costumamos dizer “Os gestos estão para a fala, como o gatinhar está para o andar”. Aprende-se imenso de…um bebé aprende por gatinhar por aí, mas logo que consiga quer por-se em pé e fazer melhor. Os gestos permitem aos bebés comunicarem e a não ficarem tão frustrados, mas logo que consigam comunicar melhor, ele levanta-se nas suas “pernas” da linguagem e começa a falar. Nós tentamos assegurar aos pais, e claro temos os dados dos estudos das pesquisas que mostram. Tivemos um grande financiamento do Governo para se estudar isto e nós estávamos apenas não surpreendidas, porque já o tínhamos visto com as nossas crianças nos nossos estudos e sim, sabemos que realmente ajuda no desenvolvimento da linguagem.

Sabla – Eu também tenho vindo a falar com diferentes profissionais e quando ouvem falar pela primeira vez sobre o Programa Baby Signs eles dizem “é claro, faz todo o sentido”. Duas novas instrutoras são terapeutas da fala.

Artigo relacionado: “Porquê que a equipa de Instrutores no Programa Baby Signs® em Portugal é especial?

 

Linda – uh, isso é maravilhoso

Sabla – E o programa fez-lhes muito sentido.

Linda – e os terapeutas da fala têm sido muito apoiantes. Um dos nossos primeiros alunos, que estudou e trabalhou connosco, tornou-se uma terapeuta da fala, ela usou o programa na sua prática todo o tempo, e com o seu próprio bebé, claro. É o passa-palavra, isso é quando dizemos, quando as mães dizem a outras mães sobre isto, e elas podem falar sobre as suas crianças e de como estão a passar dos gestos à palavra sem qualquer problema. E há muito boas histórias, certamente que tu tens histórias sobre o teu filho.

Sabla – E tenho, conto-as a toda a gente.

Linda – Isso é óptimo, é optimo

Sabla – E eu sempre me recordo de quando ele tentava falar ao mesmo tempo que fazia os gestos e ele estava confiante sobre o que ele estava a comunicar com os gestos e ele tentava falar ao mesmo tempo, mesmo que não fosse claro.

Artigo relacionado: “O primeiro gesto é tão especial quanto a primeira palavra

Linda – mas tu sabias por causa dos gestos, o que ele estava a tentar dizer.

Sabla – Ele tinha o mesmo som, para pelo menos 5 palavras, mas ele tinha 5 diferentes gestos para cada som. Por isso eu sabia exatamente o que ele precisava.

Linda – isso na verdade, é uma das razões pelas quais ajuda no desenvolvimento da linguagem, porque permite aos pais responderem apropriadamente ao que eles estão a tentar dizer e modelar a palavra correta. Que gesto ele gostava mais?

Sabla – Eu penso que seria o “Mais”. Ele adorava animais, nós tínhamos autocolantes na parede de animais do zoo, e ele conhecia-os a todos. Ele simplesmente ia até à parede, e fazia todos os gestos do que via.

Artigo relacionado: “11 Benefícios que pais e profissionais adoram no Programa Baby Signs®

Linda – Isso é fantástico!

Sabla – Eu penso que o “Mais”, era o melhor gesto para ele, e posteriormente ele usava o gesto de depois de conseguir dizer a palavra, ele fazia “Mais” quando tinha a boca cheia.

Ok. Tenho uma grande questão agora. Apenas uma ainda antes desta. Em quantos países está implementado o Programa Baby Signs?

Linda – Sabes, nós temos parceiros, provavelmente 4 ou 5. Mas o livro já foi traduzido em 30 ou 35 línguas. Por isso sabemos que está em todo o mundo. Mas não temos ligações com todos os lugares. Mas já fomos convidados para o Japão. Eles têm um Programa muito forte há 20 anos agora. Eles convidaram-nos a ir até lá para falarmos com todos os seus instrutores em todos os locais onde usavam. Em Taiwan também, e também visitamos Chile, eles também têm um forte programa. Por isso conhecemos alguns que estão mais conectados connosco. Há muitos mais que nem sabemos. Agora está em todo o mundo!

Sabla – Está mesmo. Está à volta do mundo. E é tão entusiasmante saber isso. E qual a sua visão para o futuro do Programa Baby Signs, se tiver uma em específico.

Linda – Bem, sabes, a Susan e eu reformámo-nos do negócio e passámos para a Michelle Cromenees e apenas mantemos o contacto com a Michelle e se houver algum interesse de outro país. Então começo a comunicar com o país. Eu penso que a Susan e eu estamos a apreciar de longe.

Sabla – E os netos agora também fazem gestos, certo?

Linda – Na verdade a Susan tornou-se recentemente bisavó pela segunda vez há cerca de um mês atrás. O seu primeiro bisneto Blake, fazia muitos gestos, ele era maravilhoso. A mãe do Blake, a neta da Susan está no livro, Fotografias da Lyann a fazer os gestos está no livro. Já são várias gerações agora.

Sabla – Isso é tão bom. Eu tenho o objetivo de ir a Califórnia visitar-vos um dia.

Linda – Sim!

Sabla – Eu sei que vocês têm um Instituto, vocês têm estudos a decorrer neste momento ou fazem-nos periodicamente?

Linda – Não temos. A Susan tornou-se Psicóloga Clínica em que ela tem a prática dela, e eu estou totalmente reformada. Mas existe uma estudante, uma antiga aluna nossa no estado de Michigan, a Claire, e ela está a dar continuidade às pesquisas. Por isso, quando sei de estudantes interessados eu passo o nome deles à Claire. E ela trabalhou com uma mulher em Chile,  Com a que começou o Programa em Chile. É continuo, mas nós realmente afastámo-nos para apreciarmos e vermos tudo a crescer.

Sabla – Isso é bom. Uma última questão. Que mensagem gostaria de deixar para os pais e profissionais portugueses

Linda – Eu penso que a mensagem mais importante é o quanto os bebés são mais inteligentes do que pensamos. Eles têm tanto a acontecer nas suas mentes e ficam tão frustrados… e queremos que os pais saibam que eles podem ter uma janela para dentro da mente do bebé ao ajudarmos os bebés a aprenderem o gestos. E isso é importante também para os profissionais particularmente Centros de cuidados Infantis, eles podem beneficiar ao terem os gestos.

Ter uma janela para a mente dos bebés e perceber o quanto eles são inteligentes. Isso é importante.

Artigo relacionado: “Perguntas frequentes sobre o fantástico Programa Baby Signs

Sabla – Muito obrigada pela sua mensagem, vou fazê-lo chegar!

 

E em Portugal, já temos representação desde Fevereiro de 2017 e estamos a fazer chegar o Programa Baby Signs® de Norte a Sul e Ilhas!! Para mais informações sobre como pode tornar-te um Instrutor Baby Signs® regista-te aqui.

Espero que tenhas gostado desta entrevista, adoraria saber a tua opinião nos comentários abaixo!

 

Um dia Feliz,

Sabla D’Oliveira

 

 

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Linguagem Gestual para bebés ouvintes…Será assim tão útil?

Recentemente questionaram-me algo parecido com “Gestos para bebés?? Para quê mesmo, se eles não têm nenhum “problema”?!”

O Programa Baby Signs® já tem estudos científicos com mais de 25 anos de existência sobre o impacto do uso de gestos com bebés ouvintes. E brevemente teremos o primeiro estudo português sobre o assunto. No entanto, em Portugal ainda é recente e é natural que ainda se questione a utilidade disto que é fazer gestos com os bebés ouvintes.

A resposta é simples. Serve para ajudar os bebés a expressarem de forma eficaz aquilo que eles precisam, querem, sentem e vêm, muito antes de conseguirem falar. E como toda a metodologia do programa é feita, os benefícios são imensos, como o desenvolvimento da linguagem, menos frustrações, maior auto-confiança e maior desenvolvimento cognitivo.

Artigo relacionado: 11 Benefícios que pais e profissionais adoram no Programa Baby Signs

O texto seguinte foi retirado do trabalho final da minha Pós-graduação em Parentalidade e Educação Positivas (da Escola Magda Gomes Dias), cujo tema central foi o Léxico Emocional antes dos 24 meses.

“Segundo o pediatra Brazelton, aos 12 meses, ainda muito poucas palavras se conseguem entender, apesar de estar em formação. O que acontece comummente de forma espontânea é o apontar e usar a linguagem gestual, expressões faciais, como sinais nítidos de comunicação. A criança está desejosa de aprender a falar e aos 15 meses mostram verdadeiras frustrações por não serem capazes de conversar. Fazem gestos muito expressivos e compreendem quase tudo o que lhes dizemos. (Brazelton, T. 2009).

Seria um desperdício deixar passar esta fase sem lhes dar as ferramentas para poderem comunicar, integrar conceitos, expressarem-se, arrumarem melhor as suas ideias e terem a oportunidade de darem início ao treino da autorregulação e desenvolvimento emocional.”

E termino com uma nota das Fundadoras do Programa, que mostram a real essência disto que é ajudar os bebés a “falar” antes de saberem falar:

“Os bebés que fazem gestos aprendem muito cedo na sua vida que os seus pensamentos e sentimentos são importantes e serão ouvidos. Como resultado de serem eficazes a comunicar para o mundo, as crianças desenvolvem atitudes positivas em relação aos outros – e em relação a si próprias. Elas descobrem que aprender é divertido, que o mundo é um lugar maravilhosamente interessante e que é imensamente recompensador partilhar as suas fascinantes descobertas com aqueles que amamos.” Em Baby Signs (2009), Linda Acredolo e Susan Goodwyn.

 

Qualquer questão que surja entre em contacto comigo por email: sablaoliveira@babysigns.pt

 

Próximos eventos aqui!

 

Um dia feliz

Sabla D’Oliveira

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Quando inscrever-me num workshop e começar a usar o Programa Baby Signs® com o meu bebé?

Costumo partilhar com os pais nos meus workshops que eu era a “maluquinha” na maternidade que debruçava no berço do meu filho (mesmo a dormir) e dizia a fazer o gesto “Queres leitinho?”

E não, não é preciso tanto, nem tão cedo quanto um recém-nascido! A minha ideia era simples. Eu queria ficar habituada desde logo aos gestos. E isso resultou lindamente connosco. Para mim fazer gestos tornou-se tão natural quanto falar!

No entanto quero falar-te de 3 grupos etários, que com as décadas de experiência do Programa Baby Signs® averiguou-se as preferências das famílias.

Dos 0 aos 8 meses

Pais que queiram habituar-se desde cedo e expor o seu bebé aos gestos mais cedo, optam por começar dentro deste intervalo de idades. A grande vantagem é mesmo a exposição. A desvantagem é para pais que querem ver resultados mais rápidos. Se sentes que ficarias frustrado por não ver resultados imediatos, recomendo que esperes mais um pouco.

Dos 8 aos 12 meses

Esta é a fase mais popular entre os pais de bebés a darem início aos gestos, uma vez que o bebé já se aproxima do nível de desenvolvimento cuja capacidade de fazer gestos também aflora. No entanto há registos de bebés a fazerem gestos mais cedo. Nesta etapa, os bebés estão muito atentos a tudo e mostram curiosidade sobre o mundo. Mesmo que os pais tenham que esperar pelo primeiro gestos, há maior interação com o bebé neste intervalo de idades, o que ajuda a manter o entusiasmo.

Dos 12 aos 18 meses

O nível de compreensão dos bebés nesta faixa etária é gigante, e a proporção da frustração por não se conseguirem expressar é diretamente proporcional! Esta é a etapa que os gestos mais falta faz. Os bebés que começam mais cedo podem chegar a esta fase já com mais de 30 gestos no seu vocabulário, e as palavras iniciam-se mais cedo devido à preparação do cérebro para a comunicação. No entanto pais que queiram ver resultados quase “na hora” podem aguardar pelos 12 meses. A desvantagem de começar mais tarde é de beneficiarem dos gestos por menos tempo.

Agora que já sabes quando vais fazer o teu workshop, fica atento às datas e inscreve-te aqui.

Espero que este artigo te seja muito útil e que possas usufruir de todos os benefícios do Programa Baby Signs® com o teu bebé.

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Um dia Feliz

Sabla D’Oliveira

Publicado em

Babywearing Descomplicado em 5 passos

Baby…quê? Se esta palavra é nova para ti e queres coisas fixes para o teu bebé continua a ler este artigo!

 

Passo 1: Saber o que é!

Fórmula para entender o que é o “Babywearing”:

Ter o bebé ao colo de forma Segura & Confortável + Mãos Totalmente Livres = Babywearing

Marsúpio conta? Não (o bebé ou o adulto não vão confortáveis e está em risco a segurança da coluna do bebé)

 

Passo 2: Saber as regras de segurança e conforto!

Caso já tenhas algum artigo de babywearing ou venhas a adquirir um, depois de colocado confirma se cumpres estas 4 regras:

a) estás à distância de um beijinho no topo da cabeça do teu bebé

b)o teu bebé apresenta uma curvatura natural da coluna

c) as pernas do teu bebé encontram-se em posição de “sapinho” ou “M” (os joelhos estão acima da linha do rabinho)

d) Vês bem a cara do teu bebé (queixo afastado do peito, para manter as vias aéreas desobstruídas)

 

Passo 3: Saber que artigos existem neste mundo do Babywering!

Estes são os mais comuns:

Pano não elástico – não é o pano do lençol, estes de babywearing têm uma tecelagem específica que acomoda o corpo do bebé e do adulto na perfeição! Parece que dá imensas voltas, mas é simples de te iniciares!

Pano elástico – tempo limitado de uso devido à sua elasticidade em proporção do peso do bebé. (dá uma sensação muito aconchegante a recém-nascidos)

Mochila ergonómica – pode ser usado à frente, às costas ou na anca. Há marcas especializadas que se adaptam a bebés mais pequenos

Mei tai – origem oriental, o seu uso fica entre um pano e mochila.

Onbuhimo – é praticamente uma mochila sem o cinto debaixo – usado às costas, com os mais crescidos.

Sling de argolas – um pano (especial para babywearing) com duas argolas cosidas na ponta.

Pouch Sling – uma nota especial para este! Há artistas e muita publicidade à volta deste sling, mas infelizmente em mau uso do artigo (este é daqueles que se usa a tiracolo, geralmente feito à medida do adulto). Apenas serve para usar na posição sentado (para quando o bebé já se senta) e não deitado, o passo 2 explica porquê!

… (e ainda há mais, mas fiquemos por estes)

 

Passo 4: Como saber por onde começar?

Nada como consultar uma Consultora Certificada em Babywearing para a tua família descobrir o vosso estilo e necessidade! Têm a oportunidade de experimentar vários tipos :D.

 

Passo 5: Onde comprar o meu artigo?

Depois de consultar o Passo 4 e teres descoberto qual ou quais os melhores artigos para a tua família, podes procurar em lojas (online ou físicas) de confiança!! De preferência portuguesas :D!! Já existem algumas e são top!

 

Qualquer questão, estou aqui para te ajudar!

Sabla D’Oliveira

Consultora Certificada Babywearing